Giro Ipiaú

Armando Gaudêncio em delírios de diplomacia

Gaudêncio assistindo a uma Sessão na Câmara de Vereadores de Ipiaú.
Acompanhado dos então vereadores “Neném
de Ota” e “Neto Fala Fina” que certamente queriam faturar prestigio ao lado de
tão imponente criatura, Armando Gaudêncio, nosso ilustre personagem, adentrou o
stúdio da Rádio Livre, naquele final de manhã do mês de abril. A entrevista
havia sido anunciada com antecedência e isso mobilizou o público ouvinte da
emissora. A audiência chegou ao pico logo no inicio do programa. Armando
começou o seu depoimento dizendo como evitou um sangrento confronto entre uma
guarnição do glorioso exercito brasileiro e uma facção da guerrilha que
resistia ao Golpe Militar de 1964 e tinha base no sudoeste baiano. O palco da
luta seria a Rua Siqueira Campos, onde mora o capitão Milton Pinheiro, no centro
da cidade. “De um lado da rua estava a tropa legalista e do outro os
terroristas com suas camisas vermelhas. O tiroteio já ia começar quando eu
resolvi dá um basta. Montado num jegue e segurando duas bandeiras brancas que
tremulavam ao cruzar dos meus braços, subi a ladeira impondo a trégua, dizendo que
Ipiaú não era lugar de guerra. A 
minha  intervenção  foi providencial!”. O estigma de agente da
paz levaria Armando Gaudencio a mediações bem mais importantes. Contou-me que
lhe coube a missão de evitar aquela que seria a Terceira Guerra Mundial.
Perguntei-lhe porque isso aconteceria e ele respondeu: – Por causa de um
urubu!- “Como assim? Indaguei. Armando Gaudêncio aprumou a elegância, fechou a
cara, soltou o vozeirão pastoral, detalhando a explicação:

“Ronald Reagan, presidente dos
Estados Unidos veio passar férias no Brasil. Ao chegar ao Aeroporto de Brasília
avistou um urubu e imediatamente se encantou com a ave. Solicitou aos seus
assessores que capturassem o bicho e o enviasse com a máxima urgência, para Washington.
Queria assim colocar um pouco de black na Casa Blanca. Ao tomar conhecimento do
ocorrido (continua Armando), José Sarney, Presidente do Brasil, procurou seu
colega e reclamou da apropriação indébita, exigindo devolução.  Reagan resistiu e argumentou:  -O urubu é meu, ninguém tasca, eu vi
primeiro!-. Em seguida, Reagan suspendeu as férias e voltou para os States. A
ONU tentou uma solução mas não conseguiu demover Reagan daquele propósito. Sem
outro jeito Sarney ordenou que as forças armadas brasileiras fossem resgatar o
urubu. Antes que a marinha nacional chegasse na costa norte-americana, os  marines já estavam em solo brasileiro. Do
Oipoque ao Chuí, tudo era um campo minado. Ogivas nucleares apontavam em
direção ao Palácio do Planalto, Pão de Açúcar, Cristo Redentor e outros pontos
estratégicos nacionais. A esquadrilha da fumaça, com seus aviões  tucanos, sobrevoava a Estátua da Liberdade, o
conflito era inevitável. Foi aí  que o
presidente da ONU lembrou da minha pessoa 
e disse: -Manda buscar Armando 
Gaudêncio  em Ipiaú, pois só ele é
capaz de resolver o problema!-. Fretaram um avião e lá fui eu prá Washington.
Cheguei na Casa Blanca e logo mandei 
avisar ao Reagan da minha presença. Ele me atendeu com muita
cordialidade, relembrou nossa antiga 
amizade e foi  procurando  um jeito de me enrolar. Eu que  não comia as suas  farofas, fui 
dizendo: “Vim buscar o urubu, pois ele 
é um patrimônio do povo brasileiro! Reagan tentou resistir e eu lhe dei
um carão: “Tome vergonha presidente, não ver que assim o senhor tá promovendo o
desequilíbrio ecológico? E tem mais: o Ibama está lhe procurando. Quando terminei
a bronca Reagan estava com lágrimas nos olhos. Me abraçou forte, soluçou  e depois me devolveu o bicho dizendo: “Só
você Armando Gaudêncio, somente você tem essa moral”. Voltei ao Brasil com o
urubu debaixo do braço e até hoje o mundo me agradece por isso-. (Giro/José
Américo Castro).

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