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Dez venezuelanos em situação análoga à escravidão são resgatados de empresa em Itabuna

Agentes da PF na empresa acusada de explorar venezuelanos || Reprodução
A Polícia Federal resgatou uma mulher e nove homens venezuelanos durante operação com a Secretaria do Trabalho, do Ministério da Economia, na manhã desta quinta-feira (18), em Itabuna. Os dez venezuelanos foram encontrados em situação análoga à de escravidão na empresa que, segundo informações, pertence a um brasileiro e um polonês. Os donos do negócio foram detidos e encaminhados para a sede da PF em Ilhéus. Os venezuelanos estariam sendo explorados na empresa em Itabuna há mais de dois meses. Conforme denúncias, eles trabalhavam no galpão – uma oficina mecânica para veículos e equipamentos de lazer -, onde dormiam em colchões jogados no chão e sem água potável. As condições foram consideradas subumanas. O galpão funciona ao lado do Condomínio Residencial São José, em Ferradas, às margens da BR-415, trecho que liga Itabuna a Ibicaraí. 
Local onde os venezuelanos dormiam (Foto: Divulgação)
Conforme apurado, os venezuelanos eram atraídos através de anúncios de emprego na internet, com promessas de salários de até 400 dólares para trabalhar na manutenção de brinquedos de um parque de diversões. As passagens eram custeadas pelo aliciador e os valores gastos já passavam a compor, logo na chegada, a “dívida” dos trabalhadores, que era descontada dos seus salários. Além das passagens, também eram efetuados descontos referentes ao alojamento, à alimentação e à utilização de energia elétrica e internet, de forma que os trabalhadores acabavam submetidos a uma espécie de servidão decorrente das dívidas.
Todos os venezuelanos resgatados foram conduzidos à Polícia Federal, aonde, além de prestarem depoimento em relação aos fatos, formalizarão seus pedidos de refúgio, nos termos da legislação de imigração. Os presos responderão pelos crimes de redução a condição análoga à de escravo e de tráfico de pessoas, previstos nos artigos 149 e 149-A do Código Penal, respectivamente, cujas penas, somadas, podem chegar a 16 anos de reclusão.

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