Giro Ipiaú

Morre aos 56 anos o fotógrafo Rogério Ferrari

Rogério lutava contra um câncer.

Faleceu na tarde desta segunda-feira, 19, no Hospital Santo Antônio, em Salvador, o antropólogo e fotojornalista Rogério Ferrari. Ele tinha 56 anos e vinha lutando contra um câncer que foi diagnostico no final do ano passado. A princípio tinha sido divulgado que o sepultamento seria nessa terça-feira, no Cemitério da Saudade, em Ipiaú. No entanto, a família decidiu por cremação em um cemitério em Salvador. A cerimônia de cremação do corpo do fotojornalista Rogério Ferrari foi adiada para esta quarta-feira, 21, no Crematório do Cemitério Jardim da Saudade, em Brotas/Salvador, às 1030h. Parte de suas cinzas deverão se espalhadas em algum lugar de Ipiaú. A Prefeitura de Ipiaú e a Diretoria de Cultura, em nota, expressaram solidariedade aos familiares e amigos enlutados pela irreparável perda.

Filho de seu Jujú (Julival Ferrari), da histórica Loja Céu de Estrelas, e de dona Dilce, militante na segunda geração do Movimento Cultural Rapatição, um dos fundadores da Rádio Livre, torcedor do Botafogo, comunista, autor de vários livros, Rogério retratou a resistência de povos oprimidos e movimentos sociais com foco na liberdade.

Importantes veículos de comunicação nacionais, a exemplo das revistas “Veja” e “Carta Capital”, e internacionais, como a Revista Acción (Argentina) e Periódico El Tiempo (México), além das agências de notícias “Prensa Latina” (Cuba) e “Reuters”(Inglaterra), abriram espaço para o seu trabalho de fotojornalismo. Ele registrou o momento histórico da “Queda do Muro de Berlim”, que significou a derrocada do socialismo autoritário e burocrático stalinista.

Mergulhou fundo na antropologia, tornando-se um observador participante dos povos na luta por sua autodeterminação. Essa busca foi iniciada na Nicarágua, quando serviu como voluntário na colheita de café. Solidarizou-se também com o povo cubano na colheita da cana-de-açúcar. No México, militou na educação com as comunidades indígenas zapatistas.

Criou o projeto “Existências- Resistências” que em mais de vinte anos de viagens e pesquisas publicou sete livros de fotografias (dois destes l, com oficinas e exposições pelo país e exterior.

Fotografou os Zapatistas em Chiapas no México; os refugiados palestinos no Líbano e na Jordânia; os Curdos na Turquia; os refugiados Saarauis no deserto de Saara e nos territórios ocupados pelo Marrocos; mapuches no Chile; o MST no Brasil; os Ciganos e Índios da Bahia.

Uma parte significativa das suas pesquisas estão nos livros, realizados com as analógicas Canon AE1 e Nikon F4, exceto “Parentes”, em digital, com a Canon 6D, que aderiu em 2015 para atender às demandas dos veículos de comunicação a que ainda presta serviço como free lancer.

A sua fotografia, que percorre desde galerias de arte, a USP e o Congresso Nacional, fez com que participasse do programa televisivo de Jô Soares e protagonizasse o documentário “Muros”. É considerado um dos mais interessantes fotógrafos brasileiros engajados”. No bom elenco dos agentes culturais de Ipiaú, Rogério Ferrari tem lugar de destaque. Rendamos homenagens a ele! (José Américo Castro/GIRO)


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