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Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor mostra que em setembro 74% população estava endividada

Foto: Reprodução

Para a média das famílias brasileiras, superar esses meses desde o começo da pandemia não tem sido tão simples assim. A chegada do Covid-19 modificou, piorando na maioria dos casos, a estrutura dos ingressos nos lares brasileiros, só que as contas continuavam a chegar.

É só pensar apenas em alguns dos gastos que uma casa precisa fazer frente, como despesas diárias de alimentação, luz, gás, custos de educação, e o dinheiro preciso para se deslocar ao trabalho, como o combustível -que tem incrementado seu valor 70% desde o começo do ano-, para perceber que o panorama ficou mais difícil. Nem pensar se o lar já carregava com dívidas anteriores sem pagamento e parcelas em atraso.

Perante este contexto, não surpreendem os valores registrados pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) desenvolvida pela Confederação Nacional do Comércio. Segundo ela, a quantidade de famílias endividadas no país bateu recorde desde o começo da série histórica em 2010, atingindo 74% (1,1 ponto porcentual a mais do que o mês anterior).

Para os responsáveis pela pesquisa, o maior endividamento na população está ligado a fatores como as taxas de juros relativamente baixas no Brasil, o que faz com que a contratação seja -por enquanto- mais acessível.

A maioria das dívidas registradas nos lares têm a ver com a contratação de diversas linhas de crédito, seja para cobrir valores extraordinários (de saúde ou reparações, por exemplo), quanto para custear o orçamento do dia a dia. Dentre elas destacam o cheque pré-datado, dívidas do cartão de crédito, cheque especial, crédito consignado, prestações de carro e de casa, carnê de loja, etc.

O verdadeiro assombro aparece olhando para os níveis de inadimplência, ou seja, o percentual de brasileiros com contas em atraso. Nesta área o cenário é positivo levando em conta que o indicador chegou até 25,5%, revelando a sua segunda diminuição mensal consecutiva. A queda foi de 0,1 ponto percentual se comparado com agosto deste ano, e 1 ponto a menos do que o apurado no mesmo mês de 2020.

Trata-se de uma boa notícia, apesar da alta taxa de endividamento, pois a verdadeira preocupação está no fato das pessoas não conseguirem fazer frente às suas obrigações, caindo numa roda de contratação de novos créditos para cobrir os antigos, crescimento do valor emprestado e ingresso no registro dos nomes negativados; uma situação bem difícil de desfazer.

Segundo o presidente da CNC, José Roberto Tadros, a baixa nos níveis de inadimplência reflete o esforço dos brasileiros em manter suas obrigações em dia mediante o controle dos gastos e evitando consumos desnecessários ou através da renegociação com o banco.

Dentro do grupo de inadimplentes, porém, existe um número de famílias que, não apenas estão com contas em atraso, mas também manifestaram a sua impossibilidade de pagar aquelas dívidas. Atualmente os lares nesta situação representam um 10,3% do total, valor que também está decrescendo: caiu 0,4 ponto percentual em relação ao mês anterior e 1,3% na comparação com setembro de 2020.


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