Giro Ipiaú

Dia da Consciência Negra – por Rama Amaral

Quando os povos europeus implementaram as explorações, sequestros, estupros e a violência sanguinária no mundo africano e nas Américas, trouxeram também outros sistemas primitivos e imundos de dominação.

Hoje estamos à moda de uma nova ordem, onde a discriminação, a hostilidade, e o ódio circulam quente nas veias de uma brutalidade “cadavérica” e nas mentes “superiores”, e numa contínua ação agem nos bastidores à bestialidade da falta de conhecimento e de poder de muitos, e como sempre, em detrimento de poucos, o que cresce assustadoramente a exploração do homem pelo homem, seja no homem rural, da favela, periferia ou não, seja no homem sem ou com teto ou outros bens materiais.

Embora muitas dessas afirmativas tenham acontecido no passado, hoje se repetem com mais frequência, porém, com menos intolerância por boa parte das sociedades. Contudo, alguns conceitos como o racismo, por exemplo, está mais invisível, porque foi maquiavelicamente arquitetado de propósito por quem tem o poder de influência, decisão… E aceito e absorvido por quem tem ou não conhecimento, isso tudo em plena era midiática e do poder de expressão.

É evidente que há um preconceito velado nisso tudo; é óbvio que há um faz de conta e uma manobra de parte da própria sociedade e de setores governamentais, quanto ao racismo e ao preconceito de cor! Todavia, o que é mais estupido e quase imensurável é a ignorância ou esquecimento quanto ao passado torturante, sanguinário, segregacionista e escravista imposta pelas elites brasileiras, isso afetou profundamente negros, brancos, pardos, índios e pobres, principalmente no que tange a educação e os direitos humanos, estes assassinados ferozmente por causa do lucro; aquela quase inexistente, e quando oferecida, sem qualidade e autocrítica para maior controle das classes menos favorecidas durante os primeiros anos de implantação até os dias atuais.

Mas, graças à espiritualidade nobre, às lutas e as resistências ao longo de todos esses anos dos povos negro, índio, trabalhador e setores mais humanos e intolerante da igreja, foi possível algumas mudanças no curso da história do Brasil. Acredito que um dia essa lamentável situação que sofre o povo negro terá uma realidade bem mais justa e reparadora, pois não teria sentido Deus afirmar da importância do “…amar ao próximo como a ti mesmo”! Ou dos direitos assegurados na Constituição do Brasil, sendo este um país “democrático”!

Mas não creio, embora seja um direito de escolha, um negro (a) tendo todas as características de uma pessoa negra, se considerar parda, ora, diante disso pergunto o que é uma pele, cor parda, amarela ou branca? Mas uma pessoa parda ou de qualquer outra cor, exceto negra, dizer que é negra, aí sim, isso considerando que as ciências já afirmara que houve uma deslocalização do homem pelo mundo, saindo do continente africano, isso é o que diz a paleontologia, a antropologia e a história, sobre o homo sapiens, nossa espécie mais próxima.

Diante disso, a consciência, seja ela cristã ou não, deve ser sempre consistente, memorável e crítica aos acontecimentos mais essenciais ao longo do tempo realizado pelo homem em favor da preservação da vida e da liberdade. Quando se trata do humano, devem ser elevados o amor e a justiça ao outro (a), à quase mesma dimensão do criador destes sentimentos, Deus. Não sendo desta forma é pura hipocrisia, e de hipócritas o mundo, as sociedades, as instituições e as religiões estão cheias, principalmente quando o quesito é a tolerância, ou seja, é preciso respeito e compreensão ao contraditório e às escolhas, seja estas do homem branco, do negro, do indígena, ou de qualquer outra cor, raça, tribo, povos, religião… porque não é bacana alguém condenar outro (a), às vezes, até à aparência e fazer igual, ou quiçá, até pior que a pessoa supostamente acusada de tais condenações, isso seria dois pesos e duas medidas, o que lembra a máxima: “olho por olho, dente por dente”.

Ora, é perceptível que a cada ano que passa as fragilidades humanas estão a cada dia mais escancaradas, bem como o extermínio, neste caso, sendo as maiores vítimas o negro, e ainda temos que lidar com a mediocridade e o egoísmo, idem, a não aceitação do ponto de vista do (a) outro (a), do pensamento e das individualidades, podem ser vistas como perigosas, assim sendo a vida está mais triste e o mundo mais refém das tragédias e de todos os tipos de males, inclusive da depressão, síndrome do pânico e do suicídio, e é claro que a exclusão, o preconceito e o racismo podem causar, também, outras tristes situações.

Isso não é um texto ideológico, mas uma fala crítica ao dia da Consciência Negra, pois pela paz e à boa convivência precisamos nos sentirmos irmãos em Deus/Cristo! Todos os dias!!!

*Rama Amaral é um rabiscador brasileiro, nascido na zona rural do município de Dário Meira, Bahia. Publica no site O Pensador, e em mais de 40 grupos de escritores e poetas na rede social Facebook. É também Autor do livro, O Rio e a Criança, Cia do ebook.


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