
O consumo de medicamentos controlados no Brasil atingiu níveis preocupantes, especialmente entre mulheres e adolescentes. A prática de adquirir remédios como calmantes, estimulantes e analgésicos fortes sem prescrição médica tem se tornado comum, colocando em risco a saúde física e mental da população.
De um lado, esses medicamentos são essenciais para o tratamento de diversas condições de saúde quando utilizados com responsabilidade e sob acompanhamento profissional. Do outro, o uso indiscriminado, muitas vezes com finalidade recreativa ou para “melhorar o desempenho”, pode levar à dependência e até à morte.
“Pode fazer com que a pessoa consuma cada vez doses maiores, o que aumenta o risco cardiológico, o risco de convulsões. Tudo isso tem consequências negativas para o paciente quando há prolongamento desse uso”, alerta o psiquiatra Luiz Gustavo Zoldan, do Hospital Albert Einstein em entrevista ao Jornal Nacional.
De acordo com o mais recente Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, o consumo de benzodiazepínicos — tipo de calmante que inclui substâncias como diazepam e clonazepam — saltou de menos de 10% em 2012 para mais de 14% em 2023. O uso é comum mesmo sem orientação médica.
Ainda segundo a pesquisa, o uso de analgésicos opioides, como a morfina e o fentanil, destinados a dores intensas, disparou e aumentou mais de oito vezes no mesmo período. Quase 5% dos adolescentes brasileiros já experimentaram calmantes sem prescrição, e uma em cada cinco mulheres admitiu ter utilizado tranquilizantes, com ou sem receita médica.
Especialistas alertam que o fácil acesso, a banalização da automedicação e a busca por soluções imediatas para problemas emocionais são fatores que têm impulsionado esse cenário.
A recomendação é clara: medicamentos controlados devem ser utilizados apenas com prescrição médica e acompanhamento profissional. O uso indevido pode transformar o que deveria ser um tratamento em uma armadilha silenciosa e perigosa.