
Em recente reunião do Rotary Club de Ipiaú, a cirurgiã-dentista Patrícia Limongi expressou a preocupação da entidade com a crescente perda do acervo do Museu do Lavrador, que foi inexplicavelmente desativado após ser retirado do prédio da Câmara de Vereadores, onde esteve instalado por iniciativa do escritor e ex-prefeito Euclides Neto, cujo centenário de nascimento acontece no dia 11 de novembro deste ano de 2025.

O Museu do Lavrador foi inaugurado no dia 2 de dezembro de 1983, quando Ipiaú comemorou 50 anos de emancipação política. Na ocasião, o prefeito do município era Hildebrando Nunes Rezende. Nos anos iniciais da sua instalação, o museu foi muito visitado por pessoas da cidade e turistas provenientes de diversas regiões. Os prefeitos que sucederam Hildebrando não deram a devida importância ao memorial, que, desse modo, foi sofrendo desfalques até comprometer a totalidade do seu acervo.

A rotariana lembrou que não se tem informações sobre o paradeiro da maioria das peças do acervo e salientou que cabe às autoridades públicas e à sociedade, em geral, uma união de esforços para devolver à cidade esse importante patrimônio e, assim, reafirmar o compromisso com a cultura, a educação e o desenvolvimento de um povo que merece conhecer e preservar suas origens.

“A memória de um povo é a base de sua identidade. Quando um município preserva sua história, fortalece o senso de pertencimento da população e promove o desenvolvimento cultural e educacional da sociedade. No entanto, Ipiaú, antiga cidade de Rio Novo, tem testemunhado um preocupante apagamento de parte de sua trajetória”, observou Patrícia Limongi.
Ela explicou que um museu não é apenas um espaço de exposição de objetos antigos, mas sim um elo entre o passado e o presente, uma ferramenta essencial para a educação e para a valorização da cultura local. “Manter um museu ativo é um investimento em conhecimento e desenvolvimento. As vantagens são inúmeras.”
Patrícia Limongi considera que um museu permite que estudantes e pesquisadores tenham acesso a informações valiosas sobre as raízes da cidade. “Quando há cultura, há educação, e quando há educação, há progresso. Pessoas de outras cidades buscam verificar in loco a história dos lugares que visitam. Muitos fazem questão de visitar museus e mercados municipais, pois é nesses espaços que se encontram a alma e as tradições da região. Isso impulsiona o turismo e fortalece a economia local”, explica a rotariana.
Concluindo, a dentista assegura: “Sem memória, uma cidade perde parte de sua essência. O resgate do Museu do Lavrador não é apenas um desejo de quem valoriza a cultura, mas uma necessidade para que as futuras gerações conheçam e respeitem a história de Ipiaú.”
A ausência do Museu do Lavrador é uma perda para toda a comunidade. A restauração desse espaço e o resgate de suas peças são passos fundamentais para garantir que a história de Ipiaú não se perca no tempo. Ao ser retirado do prédio da Câmara, na primeira gestão de José Mendonça, o Museu do Lavrador foi transferido para o espaço onde funcionou o Tiro de Guerra, na Rua São Roque. Nesse endereço, perdeu o fluxo de visitantes e sofreu abandono. Muitas das suas peças foram comprometidas. A situação se agravou quando o acervo foi deslocado para um canto do antigo Mercado Municipal, onde a enchente do Rio das Contas, em dezembro de 2022, se encarregou de ampliar o desfalque. (Giro/José Américo Castro)