Giro Ipiaú

A última chance histórica de sobrevida do petismo

Foto: Reprodução / bol.com

*Por Elson Andrade

O Brasil, segue mergulhado nessa velada e complexa teia-estrutural que opera quase como uma “Brasil S/A” — onde o lucro político muitas vezes atropela a eficiência social, assiste agora a um movimento de xadrez já manjado, mas perigosamente tardio. A recente entrevista de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao portal ICL Notícias, paulista, parceira, replicada com destaque pelo jornal baiano A Tarde, traz à tona o velho mantra da “experiência insuperável” e a construção de alianças, instrumentalizadas com o slogan, de se deter a ameaça do “fascismo” e/ou acessão da Velha Direita. Contudo, por trás da retórica, o que se vê é o sintoma de uma agremiação que se recusa a olhar para o próprio umbigo, quem dirá, para o futuro do país.

O “Mito” da Imortalidade e o Peso do Tempo Sobre os Ombros

Lula completará 82 anos após as eleições do corrente ano, já em 2027. Ao afirmar que “dificilmente” deixará de disputar, ele não apenas confirma sua ambição, mas escancara a falência sucessória do Partido dos Trabalhadores, em querer a qualquer custo, continuar até o último segundo possível, seguir se perpetuando no poder. No Brasil S/A, o PT agiu de forma submissa com um único CEO que, por medo de ser substituído, subliminarmente “rebaixou” todos os diretores executivos que poderiam assumir a cadeira.

A personalização do partido na figura de Lula foi, o maior trunfo pessoal e ao mesmo tempo, a sentença da morte da firma, coletiva! Ao longo de décadas, a legenda não construiu uma ideia; construiu um messias. E messias, como sabemos pela história da República, não deixam herdeiros, deixam viúvas, e, pela história da humanidade, quando Pôncio Pilatos, representando o Estado, pergunta ao povo: – quem devemos libertar, Jesus ou Barrabás? E você já sabe do enredo e do final dessa história, não?

A Estratégia do “Cuidado com o Lobo”

O velho discurso de Lula foca na “necessidade de reconstruir uma aliança política forte para que os fascistas não voltem”. É a “polítitica” do medo em sua forma mais pura. Ao se colocar como o único anteparo possível contra a preferência e classista da Elite da velha direita, Lula tenta esconder o fato de que o PT, sem ele, são poucas e raras ilhas isoladas ou no máximo, arquipélagos temporários (antes da nova e tradicional enchente) de correntes em conflito e sem apelo popular nacional.

Oximoro gritante, é que ele não consegue admitir é que as novas gerações, especialmente aquela para a qual ele abriu as portas das universidades e pavimentou o caminho “profissional” do ensino superior, e que hoje estão formados e desempregados, solteiros, ainda morando com os pais, devendo nos bancos, se afogando nas Bets, sem condições reais de adquirir a casa própria, pendurados no Cadúnico, ou trabalhando de motoboy, assistindo os rentista abocanharem R$ 1 trilhão por ano em juros de serviços da dívida; são justamente os que, de forma injusta, lhe estão cada vez mais sendo alheios e indiferentes, negando-lhe o reconhecimento histórico.

Não tem nenhum político que tenha a experiência que eu tenho neste país“, diz e repete pela enésima vez, o presidente.

Esta frase é a confissão de um isolamento. É a celebração de um passado que se recusa a virar futuro. Para o mercado financeiro do “Brasil S/A”, a experiência é manhosa, mas a continuidade institucional é o que garante o valor das ações a longo prazo. Um partido que depende da biologia de um único homem (já aos seus 81 anos) para existir é um investimento de altíssimo risco.

A Bahia como Termômetro

Não é coincidência que o jornal A Tarde ecoe essas declarações com tanta força. A Bahia é o último grande bastião do Petismo orgânico, mas até lá os ventos estão mudando. Pesquisas recentes indicam que a hegemonia no Nordeste, embora ainda robusta, já não é a muralha impenetrável de outrora. Se o PT, partido de estrela única, precisa que um homem de oito décadas de vida cruze o país novamente para segurar o eleitorado, é porque a “marca” PT já não entrega localmente o que o “produto” Lula promete no plano ideal e remoto.

Outro ponto, é que se o nordeste lhe seja ainda vantagem em proporção, porém, em quantidade (de verdade) já faz muito tempo que não é mais.

O Último Ato Decisivo dum Partido em Anunciada Extinção

Estamos diante da última chance de sobrevida desse modelo. Se Lula vencer em 2026, ele apenas adiará a crise existencial de seu partido, e o sistema de dependência montado em todo o país. Se perder, o Petismo corre o risco de ser liquidado na assembleia geral da história, reduzido a uma nota de rodapé sobre uma era que não soube se renovar.

O drama da Brasil S/A hoje não é a falta de candidatos, mas sim, a falta de um verdadeiro e honesto projeto de país que sobreviva ao CPF de seu fundador. Lula joga e se agarra gananciosamente a seu último lance. O problema é que, no xadrez da política real, o tempo é o único adversário que nunca perde por WO. Será que nesse partido nunca haverá chance a um Haddad, Mercadante e tantos outros nomes?

Reprodução: Gazeta do Povo

Pior ainda, é constatar que, se duas décadas não foi o bastante para a grande cataputagem no real desenvolvimento socioeconômico dos brasileiros… jogar mais uma partida apostando no mesmo número… qual a chance de algo vir a ser substancialmente diferente, e, a que preço possa ter valido apena?

Essas observações não tem a pretensão de defender a preferencia por essa ou aquela ideologia, ou partido, mas sim, deixar a pergunta: E quando esta estrela solitária se apagar, o que será dos órfãos indefesos? Teria sido esse o verdadeiro e grande projeto do candidato-partido?

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Da redação: Elson Andrade – que é arquiteto, urbanista, empresário desenvolvimentista, pós-graduado pelo Instituto de Economia da Unicamp.